domingo, 8 de abril de 2012

ironia

























meus erros definem
quem eu sou
diz se há glória
ou fracasso

eu digo que uma visão
dentro de um limite
cognitivo
jamais poderia

cercar o certo e o errado
ou qualquer outra
dicotomia

quinta-feira, 8 de março de 2012

melancólico pierrô


























se a vida não fosse tão triste
diria para sorrir
se a existência fosse tão bela
diria para não chorar...

mas é que inspira-me
a dor e a fragilidade
seus olhos tristonhos
soam-me sonhos
de uma noite que não virá...

seu olhar vazio
devotado a um canto escuro
não reflete mais
do que somos,
do que temos e tanto tememos...

chore sim, pequeno pierrô
pois a vida é colombina
traz sombras femininas
desilusões de adulto
num corpo de menina.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

meus terços

























não me peçam nada
é o que tenho
de quarta a segunda

que me lembrem nas terças
apenas na terceira hora do dia
em trinca de hora

e que não precisem de mim
nas quintas
nunca tenho dinheiro

nas sextas
estou bêbado
caído

aos sábados sou da família
e aos domingos do banheiro
ou do puteiro

não me dou nem pela metade
oro para que me esqueçam
aos poucos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

a lúcida em mim


























crucifica meu ser
administra mentiras
tenta ser correta
ser tão concreta

a lúcida em mim
afaga e engana
precede e o consente
meia volta
pra recomeçar

a lúcida em mim
sufoca o precipício
a lúcida em mim
parece não existir.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

incisivo




















I
cortante movimento de prazer
sob ele curvam sólidos
refestelam líquidos
pervertem aborrecidas virgens
em solstícios sexistas

entre lábios e clitóris
confronta a sede dialética
coincide e confunde-se
em exultações e rigidez

conas e bocas são iguais
entre incisivos subvertem
vigoram como armadilhas
e caem em ciladas
misoginias e outros jogos

entregam-se à gula
não têm pudor
vingam-se em emboscadas
de desejos e gana.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

canino





















I
mordedura revelada
sem ater-se à presa
ou à agonia
do olho dilacerado

quatro lâminas a se tocar
nas pontas afiadas saboreia
a devoção ao sangue
refestelada na língua

entrega-se aos recortes
miúdos e quase mudos
à dor alheia
à liberdade entre os dentes

e ao nocauteado resta a lona
os caninos cravados
na nervura da carne
do confete rubro no chão.

sábado, 8 de outubro de 2011

parábola





















em outras eras
lancei-me
subi o quanto pude
projétil e palavra
a esmo
sem ter-me

e divaguei na
vertigem vazia
da queda

qual pedra
ao encontrar
o solo

quebrei-me
em mil
para estar
no centro

e o repuxo
fez-me inércia
que na descoberta
sempre pede
a dor
do chão!