segue o seco
parceria entre poemas de Larissa Marques e pinturas de Nirupam Borboruah
domingo, 8 de janeiro de 2012
a lúcida em mim
crucifica meu ser
administra mentiras
tenta ser correta
ser tão concreta
a lúcida em mim
afaga e engana
precede e o consente
meia volta
pra recomeçar
a lúcida em mim
sufoca o precipício
a lúcida em mim
parece não existir.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
incisivo
I
cortante movimento de prazer
sob ele curvam sólidos
refestelam líquidos
pervertem aborrecidas virgens
em solstícios sexistas
entre lábios e clitóris
confronta a sede dialética
coincide e confunde-se
em exultações e rigidez
conas e bocas são iguais
entre incisivos subvertem
vigoram como armadilhas
e caem em ciladas
misoginias e outros jogos
entregam-se à gula
não têm pudor
vingam-se em emboscadas
de desejos e gana.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
canino
I
mordedura revelada
sem ater-se à presa
ou à agonia
do olho dilacerado
quatro lâminas a se tocar
nas pontas afiadas saboreia
a devoção ao sangue
refestelada na língua
entrega-se aos recortes
miúdos e quase mudos
à dor alheia
à liberdade entre os dentes
e ao nocauteado resta a lona
os caninos cravados
na nervura da carne
do confete rubro no chão.
sábado, 8 de outubro de 2011
parábola
em outras eras
lancei-me
subi o quanto pude
projétil e palavra
a esmo
sem ter-me
e divaguei na
vertigem vazia
da queda
qual pedra
ao encontrar
o solo
quebrei-me
em mil
para estar
no centro
e o repuxo
fez-me inércia
que na descoberta
sempre pede
a dor
do chão!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
cimo
sou querer empírico
responsabilizada de ser
resvalando-me na inércia
de não ser
tento abrir as portas
que me afastam de mim
mesmo condenada
à liberdade insólita
do não poder
cimo
épica e lenta descoberta
corrompida pelo ego
qual Sísifo interno-me
eterna jornada
no subir e descer
da pedra.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
água
em sua boca
sou fluida
quase falida
em ventre
o gozo
quase parida
em lábios
essência
saliva
sexta-feira, 8 de julho de 2011
amanhece,
em marina, em solo
de cabelos negros
sorriso de menino
chega-me e vá embora
deixe,
tudo está em calma
o mar em ti flutua
o sol em mim atua
um misto de solidão
e cura
deixa,
que amor é o melhor
é bem e o mal maior
que nos atinge em fúria
na luta de história sã.
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